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Fenômenos nas redes sociais, fortes nas urnas: quem são os políticos mineiros que mobilizam seguidores na internet

24/10/2026

Fenômenos nas redes sociais, fortes nas urnas: quem são os políticos mineiros que mobilizam seguidores na internet

As redes sociais impulsionaram novas lideranças políticas em Minas Gerais. Políticos como Cleitinho Azevedo e Nikolas Ferreira transformaram alcance digital em força eleitoral.

Eleito governador, Cleitinho Azevedo soma 4,9 milhões de seguidores no Instagram. Nikolas Ferreira foi reeleito deputado federal com a maior votação da história do país.

Pela esquerda, Ana Elisa foi eleita a deputada mais jovem desde 1994. André Janones e Duda Salabert também garantiram suas reeleições para a Câmara dos Deputados.

Especialistas alertam que as plataformas digitais estimulam grupos fechados e ampliam a polarização. O algoritmo beneficia conteúdos provocativos, dificultando o diálogo essencial para a democracia.

Os gastos de campanha com impulsionamento na Meta cresceram significativamente. Os valores subiram de R$ 23,2 milhões em 2018 para R$ 167,3 milhões em 2026.

As redes sociais impulsionaram a ascensão de uma nova geração de lideranças políticas no Brasil e, especialmente, em Minas Gerais, tanto no espectro da direita quanto da esquerda.

O senador e governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e os deputados federais reeleitos Nikolas Ferreira (PL), André Janones (Rede) e Duda Salabert (PSOL), bem como a novata Ana Elisa (PT), mulher mais jovem já eleita para a Câmara desde 1994, são alguns dos nomes do estado que transformaram alcance digital em força eleitoral e projeção política (veja mais abaixo um pouco da trajetória política de cada um).

Todos eles têm tido papel importante na campanha do segundo turno dos candidatos à Presidência da República. Cleitinho e Nikolas estão lado de Flávio Bolsonaro (PL) e têm mantido suas redes ativas em prol do candidato. Ana Elisa, Janones e Duda Salabert têm mobilizado seus seguidores para agirem na internet e também para irem às ruas defender a reeleição de Lula.

As redes sociais ampliaram o espaço de candidatos para além das plataformas tradicionais de poder e transformaram a política em presença constante no dia a dia dos eleitores.

O g1 conversou com dois especialistas sobre o tema: o cientista político Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), e Matheus Felipe, especialista em Gestão de Mídias Sociais, Gestão Comercial e Marketing Digital, do Centro Universitário UNINTER.

Para ambos, as plataformas digitais transformaram campanhas, mobilizações e a relação dos eleitores com a política, mas também ampliaram a polarização e trouxeram novos desafios para a democracia.

Nesta reportagem, o g1 conta quem são os principais fenômenos da internet da política mineira e ouve especialistas a partir dos seguintes tópicos:

Quem são os fenômenos políticos digitais em MGDesempenho nas urnas e nas redesPolarização política e as 'tribos digitais'A lógica dos conteúdos e dos algoritmos O brasileiro já é 'eleitor digital'Plataformas digitais como fonte de informação

Quem são os fenômenos políticos digitais em MG

Eles têm trajetórias políticas diferentes, mas possuem capacidade grande de mobilização. Veja abaixo quem é quem entre os nomes de Minas que emplacaram na internet e os números que cada um alcançou tanto nas urnas quanto nas redes sociais (veja o infográfico mais abaixo).

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Cleitinho Azevedo

Eleito governador de Minas com 55,4% dos votos válidos (6.321.590 votos), Cleitinho Azevedo (Republicanos), de 44 anos, é natural de Divinópolis. Ex-verdureiro e músico, foi vereador, deputado estadual e senador antes de chegar ao governo. Conhecido pela forte atuação nas redes sociais, teve a candidatura confirmada em agosto e venceu a disputa em outubro. Tem 4,9 milhões de seguidores no Instagram.

A popularidade de Cleitinho foi construída por meio de vídeos gravados no celular, marcados por tom de cobrança, linguagem simples e uma estética distante dos padrões tradicionais da política. Ao aparecer com roupas do cotidiano, como camisas de time, e abordar temas de maneira direta, o político reforçou a imagem de alguém próximo da população comum.

O investimento na campanha dele deste ano em impulsionamento nas redes foi de R$ 20.754,76, correspondente a 2% do valor total, segundo o TSE.

Durante a campanha ao governo de Minas, Cleitinho destacou o papel das redes na divulgação da candidatura dele.

“A estrutura que eu tenho aqui, gente, é vocês, é o povo mineiro. Por isso que eu peço que vocês sentem o dedo e compartilhem esse vídeo para chegar em todo o povo mineiro, porque eu preciso que vocês sejam Cleitinhos nas suas cidades”, afirmou.

Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito deputado federal por Minas com 3.118.784 votos, a maior votação da história para o cargo no país. Natural de Belo Horizonte e formado em Direito pela PUC Minas, iniciou a carreira política como vereador da capital em 2020 e foi o deputado federal mais votado do Brasil em 2022.

Com mais de 25,2 milhões de seguidores no Instagram, Nikolas Ferreira se consolidou como uma das principais lideranças da direita nas redes sociais. Sua presença digital é marcada por uma linguagem adaptada ao público que busca atingir e forte capacidade de mobilização em torno de pautas conservadoras.

O alcance de suas publicações e o engajamento de sua audiência fizeram das redes não apenas uma ferramenta de visibilidade, mas um dos principais pilares de sua projeção política, ampliando sua influência para além do próprio mandato, apoiando outras candidaturas de mesmo espectro político.

O investimento nesta campanha em impulsionamento nas redes foi de R$ 123.000,00, correspondente a 9,94% do valor total, segundo o TSE.

Ana Elisa

Ana Elisa (PT) foi eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.216 votos. Natural de Divinópolis, tem 21 anos e tornou-se a parlamentar mais jovem eleita para a Câmara dos Deputados desde 1994. Estudante de direito, disputou a primeira eleição sem experiência em cargos públicos e ganhou projeção nacional pela forte presença nas redes sociais. Reúne cerca de 5,4 milhões de seguidores no Instagram.

A projeção de Ana Elisa ocorreu principalmente no ambiente digital. Ela ganhou notoriedade nas redes sociais por meio da publicação de vídeos e conteúdos sobre política, frequentemente voltados ao debate de pautas nacionais e à contestação de posicionamentos de parlamentares e influenciadores de direita.

A repercussão desse conteúdo ampliou sua presença nas plataformas digitais e contribuiu para que passasse a integrar ações de comunicação e mobilização online vinculadas ao PT durante a campanha presidencial.

O investimento nesta campanha em impulsionamento nas redes foi de R$ 28.000,00, correspondente a 3% do valor total, segundo o TSE.

Em entrevista ao Estúdio i, na GloboNews, no dia 8 de outubro, Ana Elisa, destacou a importância das redes sociais.

“Na minha avaliação, ficou provado para todos aqueles que achavam que rede social não elegia, que rede social elege, e o recado do cansaço, não das pessoas mais velhas, mas do jeito velho de fazer política”, disse.

André Janones

André Janones (Rede) foi reeleito deputado federal por Minas Gerais com 78.780 votos, garantindo o terceiro mandato consecutivo. Natural de Ituiutaba e formado em Direito, ganhou projeção nacional durante a greve dos caminhoneiros de 2018 e foi eleito deputado federal no mesmo ano.

Hoje, é um dos principais nomes da comunicação política nas redes sociais e coordena o canal "Exército do Lula", que somava 8,6 milhões de participantes nesta quinta-feira (22). Ele tem 6,7 milhões de seguidores em sua conta no Instagram.

André Janones construiu parte de sua trajetória política a partir das plataformas digitais e se tornou um dos nomes mais associados ao uso das redes sociais como ferramenta de mobilização e engajamento político. Desde 2018, mantém presença ativa nesses ambientes, utilizando vídeos, transmissões e canais de comunicação direta com apoiadores para ampliar o alcance de suas mensagens.

Mesmo mantendo relevância digital, o deputado registrou redução no número de votos entre 2022 e 2026. Houve uma redução de mais de 160 mil votos.

O investimento nesta campanha em impulsionamento nas redes foi de R$ 1.374.934,00, correspondente a 81% do valor total, segundo o TSE.

Duda Salabert

Duda Salabert (PSOL) foi reeleita deputada federal por Minas Gerais com 229.535 votos. Professora e ativista ambiental, fez história em 2022 ao se tornar a primeira mulher trans eleita deputada federal pelo estado. Antes, já havia sido a primeira vereadora trans de Belo Horizonte e a mais votada da história da capital. Ganhou projeção nacional pela defesa dos direitos humanos, da população LGBTQIA+ e das pautas ambientais. Ela tem 894 mil seguidores no Instagram.

A trajetória de Duda mostra uma relação mais direta entre visibilidade digital e crescimento eleitoral. Após alcançar projeção nacional por sua atuação política e pelos frequentes debates públicos travados nas redes sociais, especialmente com nomes da direita, a parlamentar ampliou sua votação entre 2022 e 2026, com a conquista de 21.203 votos a mais.

Nas redes sociais, a deputada frequentemente publica conteúdos em vídeo nos quais explica temas da atualidade, responde a críticas e comenta debates políticos, adotando uma fala voltada à contextualização e à defesa de suas posições.

O investimento nesta campanha em impulsionamento nas redes foi de R$ 150.000,00, correspondente a 8,46% do valor total, segundo o TSE.

O g1 procurou a assessoria dos políticos mineiros, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Desempenho nas redes e nas urnas

Veja os números dos parlamentares mineiros que transformaram popularidade digital em projeção política. O infográfico abaixo reúne o levantamento dos dados das redes sociais até o dia 23 de outubro de 2026.

Polarização política e as 'tribos digitais'

Tanto para o professor de marketing Matheus Felipe quanto para o cientista político Camilo Aggio, o principal impacto das redes sociais é a formação de grupos cada vez mais fechados em torno de identidades, valores e crenças.

Nesse ambiente, lideranças políticas conseguem mobilizar seguidores altamente engajados e fortalecer suas bases de apoio. O risco, segundo eles, é que as plataformas ampliem a lógica de confronto e reduzam espaços de diálogo, fundamentais para a democracia.

"O nosso grande problema é que estamos perdendo cada vez mais um repertório comum. Quando o adversário se torna um inimigo e as suas ideias se tornam dogmas, temos um grande problema. As dinâmicas das plataformas digitais tendem a reforçar essa lógica tribal, de segregação e de dogmatismo", explicou Aggio.

"As redes sociais passaram a premiar conteúdos que despertam emoções intensas, especialmente a rejeição ao adversário. O risco é que a disputa política deixe de ser entre adversários e passe a ser travada entre inimigos, prejudicando a reflexão crítica e o debate democrático", disse Matheus.

A lógica dos conteúdos e dos algoritmos

As plataformas impulsionam conteúdos com maior engajamento, o que beneficia mensagens mais provocativas, sensacionalistas ou polarizadoras.

"Nas redes sociais, o que gera indignação e conflito costuma circular mais do que o debate ponderado. O modelo das plataformas recompensa a capacidade de provocar engajamento. Muitas vezes, isso favorece conteúdos polarizadores, porque cada curtida, comentário ou reação é interpretado pelo algoritmo como sinal de interesse", explicou Matheus.

"As redes digitais favorecem por demais aqueles que conseguem construir uma tribo, em torno de valores, de crenças. Não são convicções políticas apenas que acabam justificando o sucesso eleitoral de alguns deles", disse Aggio.

Plataformas digitais como fonte de informação

A ascensão de nomes como Cleitinho, Nikolas Ferreira, André Janones, Duda Salabert e Ana Elisa reflete uma transformação na forma de fazer política no Brasil e não apenas em Minas Gerais. E essa mudança pode ser justificada em dados que indicam mudança no comportamento do brasileiro e de investimento em anúncios pagos em redes sociais para impulsionamento e alcance.

Segundo o Digital News Report 2025, do Reuters Institute, 54% dos brasileiros têm as plataformas digitais como principal fonte de informação.

Desde a liberação do impulsionamento eleitoral nas redes, em 2017, autorizado pela Lei nº 13.488/2017, os investimentos em publicidade nas redes também cresceram muito, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os gastos das campanhas com impulsionamento de conteúdo nas plataformas da Meta passaram de R$ 23,2 milhões em 2018 para R$ 167,3 milhões em 2026, valor registrado dez dias antes do primeiro turno. Segundo dados declarados ao TSE, o impulsionamento se tornou a principal despesa das campanhas eleitorais neste ano.

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